quarta-feira, 19 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

De volta ao ninho da solidão

 google imagens

Tudo que passamos foi lindo
Você era o meu menino
Por você eu mergulhei
No mar das ilusões

Construí castelos frágeis demais
Pra durarem na efemeridade desses dias tão iguais
O encanto do teu olhar se perdeu do meu
E as horas te levaram a ocupar
Tempos que não eram meus

O silêncio ocupou o seu lugar
Dentro de mim
E os dias quentes se chocaram
Com o frio da minha estação

A porta se fechou... e ficaram os teus vestígios
encravados nas paredes,
Nos lençóis, na porta da geladeira, nas fotografias
Que não tive coragem pra rasgar...

Ainda ouço o canto
dos filhotes de passarinhos
que imitávamos todos os dias de manhã

É canto ou pranto?
É canto ou gemido?
É canto ou solidão?

É canto ou ninho?
É apenas pranto...
De um ser 
que jamais deixou de ser sozinho.

Por Mary Paes Santana






terça-feira, 21 de agosto de 2012

vazios...



Passei longos anos tentando contornar os vazios que brotam dentro de mim...
Mas chega um tempo em que os vazios transbordam, sem chance pra recomeço.
Meus vazios têm a intenção de matar-me!

Por Mary Paes

Passa...

Imagem google


"Não é o tempo que passa
é a gente
que passa".

Mary Paes

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Náufrago

  foto: Maksuel Martins


Vou naufragar
Meu corpo nu
No mar das minhas lágrimas

Vou me calar
Me aniquilar
Vou me sugar
Me comer
Me combater
Me interromper
Pra deixar de sofrer

Vou me rasgar
Me destruir
Vou Me despir
Me despedir
Deste momento

 Vou arrancar
meu coração
dilacerar meu pensamento

Vou me jogar
Pro nada
Tropeçar nas nuvens
Das minhas ilusões!

Só assim vou te esquecer!

Por Mary Paes








quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Passe comigo esta noite - parte III


O envelope

Anne perdeu a noção de quanto tempo ficara ali, olhando aquele desconhecido, agora sem vida, caído à sua frente. Não conseguia entender os motivos que o levaram a sussurrar quase como num lamento as suas últimas palavras... ele a chamara de Angélica. Estranhamente, Anne sentia algo de familiar naquele desconhecido. Algo que ela própria não conseguia alcançar.
 
Num ato contraditório aos seus princípios, procurou nos bolsos do morto, algum documento que o identificasse, mas o que encontrou foi um envelope lacrado, que pelo estado de envelhecimento, devia ter sido guardado por muitos anos. O envelope não trazia identificação de remetente ou destinatário, apenas a frase escrita a mão: “viva para sempre”. Guardou o envelope com ela.

Anne informou anonimamente as autoridades locais sobre o assassinato na Rua Cinco, e antes que os policiais chegassem, retornou ao hotel em que estava hospedada. Assim que amanheceu, fez suas malas, ainda pensativa sobre o acontecido na madrugada. Na verdade, o que mais a perturbava, além do envelope lacrado (que ela não tivera a coragem de abrir), era a voz daquele desconhecido que não lhe saia da cabeça “Angélica... Você precisa voltar”. Por instantes, ela esquece os reais motivos que a trouxeram àquele lugar! Mas só por alguns instantes. 


Antes de deixar o hotel, ela pega o envelope que surrupiara do morto, fica por alguns segundos a imaginar que tipo de mensagem estaria ali dentro, guarda-o na mochila e sai. Ela sabia que teria de voltar àquele lugar, mas agora ela precisava retornar ao seu casulo, precisava pensar sobre os últimos acontecimentos e refazer seus planos. A verdade, embora maquiada por uma boa mentira, deixa fios soltos pelo caminho, mas é preciso ser frio e calculista o suficiente para desvendá-la, e mais ainda, para aceitá-la!
Talvez ela não estivesse preparada.




Continua...  (:

clique aqui para ler a parte anterior


Por Mary Paes Santana



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Passe comigo esta noite!

                                                                foto: olhares - Ivanielizarov

Passe comigo esta noite!   

Segunda parte            

O desconhecido

Era madrugada, as poucas luzes que iluminavam as ruas desertas refletiam nas poças d’água formadas no asfalto... a sombra de um homem cambaleante aproximava-se da avenida principal...
Anne observava a cena pela janela do último andar do hotel. Ela poderia simplesmente, puxar a cortina e ignorar o que via, mas um estalo seco ecoou no ar, e a sombra deu lugar a um corpo caindo. Anne apagou seu cigarro na xícara de café, mania feia, se estivesse na casa de sua mãe seria repreendida por isso!
Catou seu casaco da cabeceira da cama e desceu a pé, o primeiro lance de escada, antes de optar pelo elevador. Garota destemida! Poucas coisas a amedrontavam, e elevadores era uma delas.
Estava tudo silencioso. Curiosamente, nem o recepcionista estava em seu posto.

Ela parou em frente ao hotel, olhou para todos os lados, antes de aproximar-se do homem caído na sarjeta. Aparentemente, a cidade toda dormia. Mas Anne sabia que não era bem assim... Seu instinto lhe dizia que estava sendo observada.
Aproximou-se do corpo estendido no chão, pelo estado das roupas, rasgadas e sujas, e dos arranhões espalhados pelo corpo, era possível supor que aquele homem havia apanhado muito, antes de receber o tiro de misericórdia!

Anne agachou-se ao lado do desconhecido e ao mesmo tempo, pensava sobre o que fazer naquele momento, ligar para a polícia seria óbvio, na verdade ela ia fazer isso, quando algo lhe impediu. 

Aquela mão grande e ensangüentada agarrou-lhe o braço, fazendo com que seu celular caísse numa poça de lama. Ele não estava morto!

Assustada, ela levantou-se subitamente, enquanto o homem se debatia no chão, pronunciando frases desconexas... 

Então ele ficou calado! Fixou seu olhar moribundo nos olhos de Anne e falou quase num sussurro: “Angélica... achei você Angélica!”.

Anne não estava entendendo nada! Imaginou que no estado em que aquele homem se encontrava só podia estar delirando, tendo visões com alguma Angélica que definitivamente, não era ela.
Angélica... ele continuou, você precisa voltar!

Ela nada mais ouviu. O silêncio imperou por toda a escuridão, enquanto os olhos daquele desconhecido cerravam as pálpebras definitivamente.



continua... :)



leia a introdução aqui


Por Mary Paes Santana




Delírios noturnos




Minha pele queima, num desejo ilógico
Sem satisfação...
 Entre quatro paredes
Sou apenas um, 
e toco a cama fria
Querendo ir além da minha solidão
E curar esta febre que a paixão me causa
Mas, estou só... 
Possuo o tempo, a noite
e o pensamento...
 Mas, não sou dono de você
E nem por um momento te possuo, além do sonho
E se te vejo entrar... Sorrir pra mim...
E antes que me toque, sei que deliro
E se não me satisfaço, tudo que me sobra,
Ainda é o tempo... E todo o espaço, 
pra chorar
A minha solidão... 
E a falta completa de você.
 
Mary Paes Santana