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sábado, 27 de novembro de 2010

Contando grãos de areia

Eu tenho isso de ficar perdido

Mesmo quando o caminho é certo

Sou tão estranho... tão indefinidamente contraditório

Me flagro às vezes contando grãos de areia

Observando o tempo que passa e parece um monstro

Correndo atrás de mim

Não quero que o tempo,

Este vilão implacável,

Enfraqueça minhas pernas

Turve minha visão...

Quero morrer antes que o monstro me alcance...

Ou permanecer como o louco

Que eu sei que sou...

Estranho e só

Me perdendo todos os dias

Por atalhos desconhecidos

Fugindo das horas

Contando grãos de areia.


Por Mary Paes Santana - Foto: Maksuel Martins

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Foi você quem quebrou a boneca de porcelana?

Não sou mais de porcelana
Alguém me quebrou
E eu me reconstruí
Para não ser mais bela, nem frágil, nem tola
Nem sua garota comportada

Troquei o suco pelas bebidas da noite
E os sons da madrugada
Não pertenço mais ao silêncio do quarto
Nem aprecio as belas artes da parede

Agora aprendi a gritar
E a culpa é sua
Será que a culpa é sua?
Foi você quem quebrou a boneca de porcelana?

Foi você quem rompeu o ciclo da fada
E me transformou em vampira?
Foi você quem me acometeu dos pecados mais insanos...

Por Mary Paes Santana

Foto: Maksuel Martins