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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Madame Insana


Não sou suave, nem calma...
não sou a brisa morna que te afaga
sou a tempestade que surra sua face!!!
Sou a dúvida... os erros, os acertos,
a agonia... a febre...
as perguntas sem respostas...
sou a loucura dos seus atos...

sua antítese...
seu riso insensato...
seus passos largos...
suas desculpas... seus desvarios
sua luxúria... seu pecado!

Sou seu caminho complexo, desconexo...
as luzes vermelhas... a bebida e a madrugada...
sou o tom de carmim na cama...
na boca... no corpo...
na alma...

Sou eu...
seu livre arbítrio
Sua madame insana!!
Sua senhora... 
Liberdade!


Por Mary Paes Santana



domingo, 18 de dezembro de 2011

Esquecer de Morrer


                                        
Foto: Maksuel Martins

Queria gritar para o mundo todo ouvir 
Gritar a minha fúria sufocada 
A minha revolta enlouquecida 


Queria me libertar do tédio 
Angustiado que me mata... 
Queria arrancar do meu ser 
O espírito endiabrado da minha solidão


Queria perfurar o meu cérebro desordenado 
E deixar fugir todos os meus complexos desnorteados
Queria desbloquear a pulsação sufocante 
Do meu coração solitário 


Queria apagar a palidez dos meus olhos cansados 
Queria arrancar a vida morta 
Do meu corpo estafado 


...Queria iniciar 
...Queria viver 
Queria brilhar, esquecer de morrer.


by Mary Paes



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vida Cigana

 
Sou hippie, sou desleixado
Louco, maluco, tarado...
Chama-me como queres,
Mas, sou livre...

Irresponsável, vagabundo
Mas sou feliz...
Filho do mundo, nascido do mundo
E  perdido no mundo...

Sou eu quem fala ao vento
Quem dorme ao relento
E conta as estrelas
Num céu que me pertence.

Nunca estou indo
Ou voltando...
Qualquer lugar é minha morada
Nas ruas, nas praças, nas calçadas...
Muitas vezes nas estradas
Mas, nunca em seu coração.

Por Mary Paes Santana

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Por medo de amar


Foto capturada de vídeo: Maksuel Martins


Por medo de amar

Se eu gritar a dor 
Desse amor que me consome
Vou ensurdecer seus ouvidos
Quebrar sua taça de vinho
E misturar os cacos ao meu coração quebrado

Se eu deixar correr esse rio
Que molha meu rosto
Posso achar as curvas do seu corpo
E me perder nesse mar

Perder o ar
E voltar à vida com seu beijo

Se eu gritar a dor
Desse amor que me consome
Nada serei
Além de um homem que enlouqueceu
Você nem vai me escutar

E se eu me calar, não serei louco
Apenas um tolo
Que se recolhe ao nada
Por medo de amar

Por Mary Paes Santana

terça-feira, 7 de junho de 2011

Delírios

            Foto: Maksuel Martins 
 

Minha pele queima, num desejo ilógico
Sem satisfação... Entre quatro paredes
Sou apenas um, e toco a cama fria
Querendo ir além da minha solidão
E curar esta febre que a paixão me causa

Mas, estou só... Possuo o tempo, a noite
e o pensamento... Mas, não sou dono de você
E nem por um momento te possuo, além do sonho
E se te vejo entrar... Sorrir pra mim...
E antes que me toque, sei que deliro

E se não me satisfaço, tudo que me sobra,
Ainda  é o tempo... E todo o espaço, pra chorar
A minha solidão... 
E a falta completa de você.

Por Mary Paes Santana 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Entre Parênteses (...)

Foto de celular: Maksuel Martins


Sou um poeta perdido neste tempo tão estranho
Poeta sem morada...
Andarilho desses caminhos tortuosos
Riscados a lápis, ocupando  espaços em branco ...
Que nada significam para quem só entende o óbvio

Sou um poeta sem nome
Sem registros, sem marcas, sem lembranças...
Um "Autor Ignorado", entre parênteses.


Por Mary Paes

domingo, 20 de março de 2011

Preciso te falar


Foto: http://www.substantivoplural.com

Preciso te falar...
De coisas que me fazem sofrer
Coisas que falam de dor
Dor de mágoa e de lágrimas
Dor de distância e adeus

Preciso te falar
Te contar dos meus segredos
Do amor incerto que eu sinto
E dessa profunda carência que afeta meu íntimo

Preciso te falar
Desse anseio de te achar
De te amar
E não te perder... 
Mesmo que já o tenha perdido

Preciso te revelar
O meu corpo
Minha alma
Doar-te meu sangue
Minha raiva,
Meu ódio,
Minha calma.

Preciso te falar dessa ansiedade
Desse medo... Este meu tolo segredo
De te querer, de te amar...
Te pertencer
Preciso, enfim... Te falar.
Por Mary Paes Santana

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fantasia da Paixão


Você chegou e sorriu

Olhou meus olhos tão profundamente

Como se me tocasse...

Estatizou-me

Me botou um feitiço.

Senti teu corpo se aproximando

E um calor estranho apoderou-se

De mim...

O desejo ardente adormecido

Renasceu... e foi crescendo

A cada centímetro a menos

Que separava nossos corpos

E a tua boca se abriu deliciosamente

Então não resisti

E me colei aos teus lábios

Sedenta de desejos... Enlouquecendo-me...

Você me seduzindo...

Possuindo-me ardentemente...

Então acordei,

E na minha solidão, apenas o sol se

Infiltrava pela janela, descuidadamente aberta...


Por Mary Paes Santana


domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Fim


O vídeo torna visível o momento de angústia de alguém que, embora faça parte de todo um contexto social ativo, permanece intimante só. Suas inquietações e impotência diante da realidade o empurram drasticamente para O Fim.
Mary Paes é poeta contemporânea.

As imagens que aparecem neste vídeo são fragmentos de cenas gravadas na cidade de Macapá/AP e pertencem ao arquivo pessoal dos produtores.

Texto: Mary Paes
Edição: Maksuel Martins
Narração: Mary Paes
Ano: 2011
Tempo: 3m

domingo, 16 de janeiro de 2011

Hoje... Estas coisas...

Hoje... Eu poderia falar de mil coisas

Falar milhões de coisas... Coisas insanas

Ilógicas... Coisas, simplesmente...

E poderia ouvir o eco das minhas próprias palavras

Até saturar meus ouvidos.

Hoje eu poderia gritar minhas frustrações...

Trucidar meus sonhos, aniquilar minha vida.

Eu poderia me sentir um rei... No meu quarto

O único espaço que é meu!

E repetir a rima incerta,

De um poema sem versos,

Que eu mesmo fiz pra você.

Hoje eu poderia quebrar o espelho

Antes de ver o meu rosto feio, refletido nele

Poderia prender meu próprio ar... Antes do choro

Asfixiar meu coração... Tornar-me um louco

Hoje eu poderia te falar... Coisas... Estas coisas...

Que a gente sente, e se passa por tolo

Poderia rasgar minha camisa...

Pra enxugar teu rosto.

E poderia falar... Dessa coisa estranha...

Desse jeito sem jeito, que eu fico

Quando te vejo.

Hoje, eu poderia te amar... Se houvesse chances

Se houvesse tempo

Hoje, eu poderia confessar, entre tantas coisas...

Poderia quebrar o medo... Te contar uma coisa

... Mas, é segredo!

Por Mary Paes Santana

Foto: Maksuel Martins

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Em desencanto


Estou triste

E minha tristeza

É uma dor que vem bailando paulatina

No vazio que se estende pelo meu eu

Como se eu fosse o chão

E ela... Uma folha que cai com o sopro do vento

A vejo sibilar no espaço... E sei que é inevitável

Que se achegue até mim... E permaneça.

Ser triste é acumular em si

Todas as folhas que caem no outono

Ser triste é...

Ser eu sem riso

Ser apenas pranto

Ser eu sozinho

Ser eu...

Simplesmente eu

Em desencanto


Por Mary Paes Santana

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Desilusão

Sou fruto da desilusão

Desordeiro do próprio ser

Errante em caminhos estranhos

Pecador em mundo de anjos

Sobrevivente da solidão

Guerrilheiro da saudade

Mercenário do amor

E prisioneiro do seu coração!

Por Mary Paes Santana - Foto: Maksuel Martins