

Grata Arnoldo - http://ventosnaprimavera.blogspot.com/
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Olhou meus olhos tão profundamente
Como se me tocasse...
Estatizou-me
Me botou um feitiço.
Senti teu corpo se aproximando
E um calor estranho apoderou-se
De mim...
O desejo ardente adormecido
Renasceu... e foi crescendo
A cada centímetro a menos
Que separava nossos corpos
E a tua boca se abriu deliciosamente
Então não resisti
E me colei aos teus lábios
Sedenta de desejos... Enlouquecendo-me...
Você me seduzindo...
Possuindo-me ardentemente...
Então acordei,
E na minha solidão, apenas o sol se
Infiltrava pela janela, descuidadamente aberta...
Por Mary Paes Santana
Ela chegou quieta... deixou as chaves em cima da mesa,
A bolsa sobre a cama. Sentou-se no sofá e tirou as botas...
Esticou as pernas. Pegou o controle da TV e zapiou pelos canais disponíveis.
Nada lhe agradou. Desligou a TV.
Levantou-se e abriu a porta da geladeira... parou pra pensar... Fechou a porta.
Pegou uma xícara em cima da pia. Abriu a garrafa térmica e tomou um café.
Tirou a roupa... Tomou um banho quente.
Ligou o computador...
Tentou conexão com a internet...
Cansou... deitou-se e dormiu.
Morava só... numa kitnet em Macapá.
Por Mary Paes
Ai como incomoda essa falta de verdades, esse branco, esse nada!
Como incomoda esse silêncio... Esses disfarces... Essas caras sem alma!
Ai como incomodam esses discursos... As palmas, o palanque, o bis...
Esse nada vai mudar! Esse desperdício... De atenção a coisas inúteis!
Incomoda... Essa conspiração...
Mentiras?? Interesses?? Favores??
Incomodam os sorrisos... Falsos, irônicos, insensatos...
Ai como incomoda esse tapinha nas costas, esse aperto de mãos...
Essa mesmice!!!
Essa cara de pau!!!
Como incomoda essa falsidade mútua... Cara a cara, olho no olho!!!
O personagem de herói!! E a sua plateia!!!
Esse mundo de faz de contas...
Como incomoda o comodismo... A alienação, o medo, o silêncio, as vítimas...
Incomoda a realidade... A pompa exibida por poucos, contrastando com a prostituta na esquina,
o cheira cola na sarjeta, a criança dormindo sobre o papelão, o prato vazio,
o caderno em branco!!
O funeral da esperança!
Por Mary Paes Santana
Entre quatro paredes
Sou apenas um...
E toco a cama fria
Querendo ir além da minha solidão
e curar esta febre que a paixão me causa
Mas, estou só...
Possuo o tempo, a noite
e o pensamento... Mas, não sou dono de você
E nem por um momento te possuo, além do sonho
E se te vejo entrar...
Sorrir pra mim...
E antes que me toque, sei que deliro...
E se não me satisfaço, tudo que me sobra
Ainda é o tempo... E todo o espaço pra chorar
A minha solidão...
E a falta completa de você.
Por Mary Paes Santana
Fomos tão bem feitos, perfeitos... Somos puramente fatos... Filhos natos do nosso destino...
Meu ser me encabula... Por um tempo me desespero... Por outro me alegro...
Chego a não me entender... A me pertencer a outro mundo.
E me pergunto: “quem sou eu?”... Sem respostas,
Me flagro contido no silêncio... Na solidão contínua que me segue pelo tempo...
E nos meus pensamentos, imagens oscilam como pêndulos nas minhas lembranças...
Lembro-me do amor, da casta adolescência... De um afago paterno nos cabelos...
E tudo se perde como tudo se perde...
O amor e a dor são aliados constantes... Por qualquer caminho que se ande...
Nasci poeta, porque poetas se destinam a sofrer por toda dor...
Nasci pra amar profundamente, com toda a alma... De todo coração...
E se por algum tempo, eu não puder mais amar... Então estarei morto...
E nesse tempo que chega e vai... Me torturo... Ainda estou só...
A madrugada parece uma dama, que se perfuma e se doa a todos os poetas, que fazem dela,
uma musa das suas inspirações...
E meu tempo passa... Como tudo passa...
E além de tudo, não há mais nada pra eu deixar passar... Pois, a solidão jamais me abandona...
E somente para ela, gostaria que houvesse fim.
Por Mary Paes Santana