
Da minha janela... percebo a liberdade habitar cautelosa e insegura o espaço das ruas,
do ar, das grades...
por vezes pousa nas janelas dos poetas...
(Por Mary Paes Santana) Foto: Mary Paes
Eu tenho isso de ficar perdido
Mesmo quando o caminho é certo
Sou tão estranho... tão indefinidamente contraditório
Me flagro às vezes contando grãos de areia
Observando o tempo que passa e parece um monstro
Correndo atrás de mim
Não quero que o tempo,
Este vilão implacável,
Enfraqueça minhas pernas
Turve minha visão...
Quero morrer antes que o monstro me alcance...
Ou permanecer como o louco
Que eu sei que sou...
Estranho e só
Me perdendo todos os dias
Por atalhos desconhecidos
Fugindo das horas
Contando grãos de areia.
Por Mary Paes Santana - Foto: Maksuel Martins
Não vou ficar calada... Não sou muda!
Quero gritar a ira frustrada
Sou subversiva! Não tô nem aí pra massa!
Quero que se danem os tolos!
Os “normaizinhos”
É tão chata essa coisa de ser igual a todo mundo!
Cabelo lisinho tingido de louro!
Pose de gente fina! Em salto alto!
Nariz plastificado, peito de silicone!
Não tô nem aí pra massa!
Não sou comportada!
Não me esforço pra agradar ignorantes
Eu sei quem me ama
Eu sei quem me engana
Eu leio almas!
Não sou calma!
Cuidado! Sou louca!
Não tenho travas na língua
Nem travas no cérebro!
Não sei rir baixinho!
Que coisa! Só sei rir alto!
Posso te deixar sem saída!
Posso invadir teus espaços
Destruir os teus planos
Romper os teus laços
Subverter teus pensamentos
Posso manipular tuas vontades!
Te deixar parecida comigo!
Enrolar teu cabelo
Jogar tua “chapinha” fora!
Posso desvendar teus olhos
Para que você perceba
Que a beleza é efêmera
E a essência... É a eternidade!
Por Mary Paes Santana
Foto: Kelly Maia